Valorizando cada momento

Ligamos a TV e vemos uma série de promessas de produtos que permitem que façamos nossas atividades diárias de forma mais rápida. Você pode comprar um descascador de batatas e descascá-las em um décimo do tempo. Assim, dizem os anunciantes, você terá mais tempo para outras coisas.

Mas o que fazemos com o tempo que economizamos com a tecnologia? Basicamente, o ocupamos trabalhando mais ou nos entretendo com TV, cinema e outras distrações. Ter mais tempo livre não significa ser mais feliz. Ainda assim, consumimos e procuramos tudo aquilo que pode nos facilitar a vida ou poupar tempo, já que julgamos certas atividades como aversivas e buscamos preencher as nossas vidas o máximo com situações agradáveis e remover as desagradáveis.

Chegamos a pensar que estamos vivendo, de fato, apenas quando estamos nas situações agradáveis: quando viajamos, quando saímos com os amigos, quando estamos com alguém especial, ou numa festa. Quando temos essa percepção, a ideia é que todo o resto do tempo – a rotina, o trabalho, as tarefas domésticas, o trânsito – não é vida, e sim um hiato entre dois momentos de excitação. E aí, é muito fácil cair em depressão ou não ver sentido na vida quando permanecemos muito tempo nesses hiatos.

O fato é que tudo é vida, estejamos descascando batatas ou passeando em Paris. A sabedoria envolve viver o momento presente, seja ele qual for, não querendo estar em outro lugar ou fazendo outra coisa. Quando tentamos preencher nossa vida apenas com situações agradáveis, inevitavelmente sofreremos, pois mais cedo ou mais tarde elas terminarão. Quando aceitamos e contemplamos a beleza de todos os momentos da vida, sejam agradáveis ou desagradáveis, é possível ter paz.

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