Vitórias e derrotas

Vinoth Chandar
Vinoth Chandar

Triunfar sobre a natureza e sobre si mesmo, sim. Sobre os outros, nunca.
B. F. Skinner

Nossa sociedade pode ser bastante competitiva. Especialmente se vivemos em uma cidade grande ou se trabalhamos em certas áreas, como o mundo corporativo. Lutamos para nos sobrepor a outros a fim de conseguir aquela promoção, uma vaga no vestibular, um lugar no metrô, um espaço no estacionamento do shopping. Queremos que o nosso time vença, que o nosso candidato ganhe as eleições. Esse clima de competição fez com que a vitória fosse vista como algo essencialmente positivo e desejado. Mas quais as consequências disso para o nosso bem estar?

Vencedores são exaltados na nossa cultura. Mas, na maior parte das vezes, para que alguém vença, alguém tem que perder. Em algumas situações, um vencedor implica em muitos perdedores. Então, é impossível vencer sempre — na verdade, perdemos a maioria das disputas em que entramos. Competir significa estar numa situação que provavelmente nos levará a experimentar sentimentos de tristeza, decepção, frustração, causando impacto na nossa autoestima.

Os vitoriosos causam ódio,
E dormem mal os derrotados.
Só dorme bem quem for pacífico.
De lado a vitória e a derrota!
Buda

Mesmo o vitorioso não obtém a paz: ao triunfar sobre outros, ele atrai sentimentos negativos sobre si, como a raiva ou a inveja. E a tendência do vitorioso é querer se manter vencendo, o que o colocará em um estado de tensão e ansiedade constantes, com medo de perder sua posição. Perda que inevitavelmente ocorrerá; e a derrota, então, terá um peso maior ainda. A solução é se abster de competir: não buscar ganhar e não se sujeitar a perder.

A escolha que temos, então, é entre buscar a vitória ou ficar em paz. Ficar em paz pode significar dizer não para muitos valores que a sociedade tenta nos impor — como a ideia do vitorioso. Pode significar também enfrentar uma certa medida de incompreensão das pessoas à nossa volta. Mas, como disse o Adoniran Barbosa: bom de briga é aquele que cai fora.

Referências
Darmapada. (2009). Tradução: Fernando Cacciatore de Garcia. São Paulo: L&PM.
Skinner, B. F. (1990). Walden II: Uma sociedade do futuro. São Paulo: Saraiva.

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