Decisões

Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo “esboço” não é a palavra certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.
Milan Kundera — A Insustentável Leveza do Ser

Gary Gao
Gary Gao

Estar frente a uma decisão importante pode ser torturante. Geralmente, exploramos cada canto da nossa mente tentando achar informações que possam nos ajudar a seguir para um lado “certo”. O problema é que no máximo temos o resultado de situações passadas ou exemplos da vida de outras pessoas. E, para piorar, nunca temos como saber se as escolhas já feitas foram as melhores, como diz o texto acima. A impossibilidade de saber qual é a melhor forma de agir está entre o que nos causa mais angústia. Essa angústia é a própria essência das nossas limitações humanas, da nossa pequenez frente a um mundo que vive por conta própria. Então, mais uma vez, é essencial ver as coisas como elas realmente são, e não como gostaríamos que fossem nas nossas ilusões egocêntricas.

O fato de só podermos escolher um caminho sem saber ao certo onde ele nos levará reflete a inutilidade das tentativas de controle. Se agirmos apenas em função dos resultados que queremos obter, tendemos a criar estresse, ansiedade e nos fechamos para as possibilidade diferentes daquela que imaginamos. Corremos o risco de agir como a criança que se recusa a brincar se o jogo não for do jeito dela. O problema é que, nesse caso, a brincadeira vai acontecer ela querendo ou não.

A dúvida e a insegurança fazem parte da vida. Não existe um caminho em que elas não vão estar presentes, em que não pensemos “e se eu tivesse feito aquilo?”. Podemos tentar “acertar”, escolher em função dos efeitos que queremos promover. Mas é bom lembrar que não há nenhuma garantia de que teremos sucesso. Melhor seria decidir de acordo com os nossos valores, de acordo com aquilo que queremos assumir como nossas ações. Mas sem criar expectativas sobre os resultados. Em outras palavras: fazer o nosso melhor e aceitar, sem resistência, aquilo que o mundo nos dá de volta.

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